quarta-feira, 1 de abril de 2026

Barroco redacional, gongorismo linguístico, romantismo condoreiro e redação contra-argumentativa [uma viagem no tempo]




O caso da redação da Fuvest que foi zerada por conter uma série de eruditas, arcaicas e pouco objetivas despertou diversas sensações neste editor de blog que coincidentemente é professor de Língua Portuguesa, Produção Textual, Literatura e Filosofia.
Observem, primeiro, a página 4 da postagem destacada do perfil Redação On Line, no Instagram, com a íntegra da referida redação.
Inicialmente, ao ler as primeiras frases, senti-me como lendo um texto literário ou poema barroco, lá do século XVII, ao estilo de Luis de Góngora, justamente pelas hipérboles gongóricas produzidas pelo jovem autor.
Porém, ainda na introdução do texto, a expressão condoreira me remeteu à poesia romântica do século XIX, do condoreirismo de Castro Alves. Todavia, o texto redacional requer clareza, objetividade e sequência lógica de ideias, mais do que o empilhamento de conceitos, citações, repertórios e palavras. Para isso se pede que tenha organização e estrutura adequada.
Mais que isso, necessita ser argumentativo, ou seja, que tente convencer [pela razão dos dados concretos] ou persuadir [pela emoção da bagagem sociocultural]. O texto em questão, considero-o contra-argumentativo [no sentido de ser contrário à própria argumentação lógica], justamente pois é impossível convencer alguém que, em pleno século XXI, é remetido ao linguajar dos séculos XVII e XIX, e que a persuasão é feita por uma erudição confusa que parece-me tentar mais impressionar [e consegue] pela erudição do que pela argumentação em si.
Comento sempre com meus alunos que redação, por conta das 30 linhas, deve ser um texto simples e inteligível, em que as palavras estão a serviço das ideias e não o contrário. É preciso demonstrar ao avaliador que o autor domina a técnica da escrita, sim, mas tambpem que entendeu o tema e que, de forma equilibrada, apresentará o tema, o problema, posicionando-se de forma impessoal e indicando as causas do problema [argumentos], que serão detalhadas no desenvolvimento 1 e 2. Por fim, na conclusão, retomar a ideia/tese, propondo uma intervenção que conste qual será a ação necessária [O que deve ser feito?]; qual o agente [Quem deve fazer?]; o meio [Como deve ser feito?]; o detalhamento [Onde e quando?] e a justificativa, que é a frase final, valorizando a ação, em benefício da solução do problema.
O texto redacional de unm barroco gongórico e de uma romantismo condoreiro tornar-se um exemplo de contra-argumento que não convence nem persuade. E, por conta disso, o zero "duplo carpado" foi bem aplicado. Redação não é espaço para preciosismo literários, mas para clareza, objetividade e lógica.

Observação:
Esta postagem é de autoria de José Antonio Klaes Roig, professor, escritor e poeta, além de editor do blog Educa Tube Brasil. http://educa-tube.blogspot.com José Antonio Klaes Roig ou Zé Roig, como gosta de ser chamado, possui o Prêmio de Professor Transformador [2020] e seu blog Educa Tube Brasil, o Prêmio de um dos melhores blogues educacionais do Brasil [2020], conforme selos estampados na coluna à direta desta postagem.