O vídeo de humor que intitulei "Entre o texto e o contexto: a faixa de chegada como metáfora dos limites do meu entendimento" encontrei no Instagram de Arthur do Marketing é uma peça de humor que se presta a diversas interpretações.
Do ponto de vista literal, ser como crítica àqueles que confundem tempos e espaços, faixas amareladas de restrição com faixas de chegada de uma corrida. A situação corriqueira de uma corredora desatenta que faz toda essa confusão, comemorando a chegada de uma corrida contra si mesma sem perceber que se trata de um espaço isolado de um crime reflete o cidadão comum e também seu senso comum, confundindo "alhos com bugalhos", como diz a sabedoria popular.
Do ponto de vista semântica, da busca pelo significado das palavras, das ideias, dos termos de uma oração, seja ela visual, escrita, falada, fotografada, filmada, pintada etc, é entender a função que a linguagem possui, além da mera referencial [remeter a algo], mas também emotiva, poética, apelativa etc. Além do sentido figurado que as palavras possuem: irônico, metafórico, simbólico... Ou mais amplo, um sentido filosófico, ideológico, espirtual, ético, moral, social...
Interpretar o que palavras e imagens oferecem é uma competência para o século XXI, povoado de recursos tecnológicos que criam uma pós-verdade, confundindo o real com o fake. Saber não superinterpretar textos também é necessário, sem atribuir a uma obra, seja qual for, valores, ideias, conceitos que ao tempo da produção não existiam, é outra necessidade básica do leitor do século XXI; que não dá mais boa noite para o William Bonner, diante da TV ligada no telejornal, porém, conversa com chatbot [IA] como se estivesse tratando e convivendo com um ser humano.
Compreender que nenhuma linguagem é isenta, toda ela é todada de camadas e mais camadas do eu no mundo, de suas influências culturais, é essencial. Por isso que, desde 2009, este blog educacional sem fins lucrativos se vale de audiovisuais diversos para passar mensagens relevantes que podem ser adaptadas à educação de professores e alunos, como clipes, curtas, cenas de filmes, propagandas, slides, animações etc, abrindo um leque de possibilidades, não apenas sintáticas, mas, principalmente, semânticas. Assim sendo, a metáfora é uma das figuras de linguagem que permite a ampliação dos limites do meu entendimento comigo e com o mundo. Vemos o mundo na perspectiva do local e do tempo em que estamos, de preferência, em diálogo com outros tempos, espaços e sujeitos.
Observação:
Esta postagem é de autoria de José Antônio Klaes Roig, professor, escritor e poeta, além de editor do blog Educa Tube Brasil. http://educa-tube.blogspot.com José Antonio Klaes Roig ou Zé Roig, como gosta de ser chamado, possui o Prêmio de Professor Transformador [2020] e seu blog Educa Tube Brasil, o Prêmio de um dos melhores blogues educacionais do Brasil [2020], conforme selos estampados na coluna à direta desta postagem.