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domingo, 23 de novembro de 2025
Memórias de Jorge Luis Borges por Alberto Manguel: os livros e as noites, leituras e escritas [fronteiras do pensamento]
Alberto Manguel, que foi, ainda jovem, leitor para o grande escritor Jorge Luis Borges, quando ficou cego, discorre sobre a importância do que ele chama de território de memória, delimitado por leituras e escritas, que recriam geografias e ampliam recordações, no que podemos dizer de gerar uma topografia e cartografia sentimental. Todo leitor, já dizia Proust, "enquanto está lendo, é um leitor de si mesmo", associando a leitura de livros e textos às recordações e vivências, construindo cenários, figurinos, personagens, rostos, vozes a partir de locais e gentes por onde viveu, passou.
O vídeo Memórias de Jorge Luis Borges por Alberto Manguel, palestra ao Fronteiras do pensamento, é um breve audiovisual que promove profunda reflexão àqueles que valorizam o poder dos livros e das escritas neles contidas, e que, relembrando a cegueira de Borges, e a expressão "os livros e as noites", remete à memória do editor deste blog ao episódio Enfim, tempo suficiente, do seriado Twilight Zone, já destacado anteriormente neste canal digital, vide link abaixo, em que alguém sem tem po pra ler, um dia se encontra num mundo caótico, no interior de uma biblioteca imensa só pra si, mas que de repente, por conta de um acidente, perde seus óculos e o prazer da leitura. Intertextualidades.
Enfim, tempo suficiente
Observação:
Esta postagem é de autoria de José Antonio Klaes Roig, professor, escritor e poeta, além de editor do blog Educa Tube Brasil. http://educa-tube.blogspot.com José Antonio Klaes Roig ou Zé Roig, como gosta de ser chamado, possui o Prêmio de Professor Transformador [2020] e seu blog Educa Tube Brasil, o Prêmio de um dos melhores blogues educacionais do Brasil [2020], conforme selos estampados na coluna à direita desta postagem.
domingo, 19 de outubro de 2025
Enfim, tempo suficiente [para a leitura de livros]: episódio clássico do seriado televisivo Além da Imaginação
O vídeo Enfim, tempo suficiente, trata-se de o fonal do episódio Time Enough at Last (Tempo suficiente, enfim) da série clássica que marcou época, chamada Twilight Zone, no Brasil denominada de Além da Imaginação, e o encontrei, primeiro no instagram de Touche Livros, onde, além das legendas, constava uma bela sinopse, que tomo a liberdade de reproduzir na íntegra:
Henry Bemis, um homem solitário, só queria uma coisa na vida: tempo para ler. Na rotina cinzenta, o chefe o repreendia, a esposa o humilhava e os livros lhe eram sempre arrancados das mãos. Então, o impensável acontece: uma explosão nuclear destrói a cidade, e Henry, protegido no cofre do banco, sobrevive. De repente, o mundo inteiro em ruínas se torna seu paraíso particular.
Entre destroços e silêncio, Henry encontra a biblioteca. Pilhas de livros intactos se erguem diante dele como tesouros, promessas de dias infinitos de leitura. Pela primeira vez, ele sorri com esperança. Organiza volumes em montes, planeja meses, anos, uma vida inteira de palavras ao alcance dos olhos. Afinal, havia tempo suficiente… por fim.
Mas o destino guarda sua crueldade: ao se preparar para mergulhar no primeiro livro, seus óculos escorregam, caem e se estilhaçam no chão. Henry, praticamente cego, tateia em desespero, cercado por tudo o que sempre sonhou e incapaz de tocar esse sonho. Sua voz ecoa entre as ruínas: “That’s not fair! That’s not fair!” — “Não é justo! Não é justo!”
Destaco também o ótimo comentário de Angela Annunciato, no referido vídeo no Instagram: "Aconteceu com Jorge Luis Borges, que ficou cego aos 55 anos e, um ano depois, foi escolhido para ser diretor da biblioteca nacional da Argentina. Seu comentário a respeito foi mais ou menos assim: “A ironia magnífica do destino, que me concedeu ao mesmo tempo os livros e a noite”.
Borges, inclusive, em um de seus maravilhosos contos, falava de uma biblioteca universal em que todo conhecimento humano estaria presente, numa clara referência à Biblioteca de Alexandria. Jamais devendo ser superinterpretado como o pai da ideia da internet, Google, Wikipedia. A biblioteca que ele imaginara era física, não virtual. Um repositório universal, como na Antiguidade.
Dito isso, em seguida, busquei o referido vídeo no YouTube, achando-o em boa resolução [acima], seriado que surgiu primeiramente na TV entre 1959-1964, em versão preto e branco. Posteriormente, voltou à TV em cores, nos anos 1980 e outra versão no início dos anos 2000, dessa série emblemática que inspirou outras diversas [Black Mirror, Love + Dead + Robots etc].
O que esse episódio nos traz de reflexão é justamente sobre o papel do livro e da memória em nossa humanidade, algo que remete de forma intertextual ao livro e depois filme Farenheit 451, inclusive numa cena antológica que já foi destacada neste blog educacional, vide link abaixo:
Farenheit 451: cena de distopia com diálogo primoroso entre professora e bombeiro sobre a questão dos livros e da leitura
Em tempos de não leitura, e de não leitores, cada vez mais vidrados às telas, telinhas e telões, tais materiais são fundamentais para abrir um debate sobre a importância do livro, da memória, da literatura, da arte para a preservação do conhecimento da e para a humanidade. Ótimo material para uma oficina de interpretação textual e escrita criativa com jovens e adultos.
EM TEMPO: Após esta postagem, encontrei uma interessante resenha sobre o episódio "Enfim, tempo suficiente", no canal METEORO, que compartilho logo abaixo, tratando de diversos episódios de TWILIGHT ZONE [Além da Imaginação], com o tema IGNORÂNCIA ALÉM DA IMAGINAÇÃO, algo terrivelmente atual:
Observação:
Esta postagem é de autoria de José Antonio Klaes Roig, professor, escritor e poeta, além de editor do blog Educa Tube Brasil. http://educa-tube.blogspot.com José Antonio Klaes Roig ou Zé Roig, como gosta de ser chamado, possui o Prêmio de Professor Transformador [2020] e seu blog Educa Tube Brasil, o Prêmio de um dos melhores blogues educacionais do Brasil [2020], conforme selos estampados na coluna à direita desta postagem.
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
Rebobinar [Rewind]: impactante episódio 03 da série The Twilight Zone [Além da Imaginação, temporada 2019] que trata de racismo estrutural e viagem no tempo
A imagem acima, encontrada na internet, é meramente ilustrativa do episódio 03, do seriado The Twilight Zone, temporada de 2019, do portal de streaming Amazon Prime. Série criada por Rod Serling, e que no Brasil foi batizada de "Além da Imaginação", e já teve diversas outras temporadas nos anos 60, 80, início dos anos 2020 e recentemente a temporada de 2019, sendo que o episódio em questão é intitulado "Rewind" [Rebobinar], tratando inicialmente de viagem no tempo, através do retroceder de imagens gravadas numa antiga câmera filmadora com fita magnética, mas pouco a pouco o espectador começa a pensar que se trata mesmo de uma experiência social de alegoria, travestida de ficção científica e suspense, remetendo ao racismo estrutural, a discriminação racial e a violência contra os negros, que se repete, ainda que se tente "rebobinar" e recomeçar a história. O próprio termo retroceder, que vem de retrocesso permite pensar no movimento oposto, que é avançar, ultrapassar limites, buscar novos caminhos, sempre avante.
Um episódio impactante, avassalador e perturbador, pois remete a uma questão quase institucional, e que pode ser feito um paralelo entre EUA e Brasil, no que tange seus passados escravocratas, a luta pelos direitos civis, as cotas raciais, a violência policial e muito mais.
Logo abaixo, fragmento de cena final do referido episódio para aguçar a curiosidade do educador [seja pai ou professor] que queira utilizá-lo como material de apoio à produção textual [ativem legendas e tradução nos ícones no canto inferior direito da janela de exibição do YouTube]. Em tempo: Sempre recomendando ver o original, atualmente à disposição no serviço de streaming da Amazon Prime Video.
Um ótimo material para aulas integradas de Linguagens e Humanas, envolvendo interpretação de imagens e escrita reflexiva ao final e que indico com o marcado #CinEducação neste blog educacional. Pode-se também tratar de filosofia, sociologia e tecnologia, além de história, memória, cinema e literatura em sala de aula.
Abaixo, seguem dois vídeos complementares, já que não foi possível inserir o episódio "Rebobinar" neste blog educacional, mas que tratam de "Rewind" e comentam sobre o próprio seriado cult The Twilight Zone [Além da Imaginação]: Primeiro, o canal CINEMA FALADO e em seguida do canal REFÚGIO CULT, ambos são espaços de crítica cinematográfica:
Observação:
Esta postagem é de autoria de José Antonio Klaes Roig, professor, escritor e poeta, além de editor do blog Educa Tube Brasil. http://educa-tube.blogspot.com
José Antonio Klaes Roig ou Zé Roig, como gosta de ser chamado, possui o Prêmio de Professor Transformador [2020] e seu blog Educa Tube Brasil, o Prêmio de um dos melhores blogues educacionais do Brasil [2020], conforme selos estampados na coluna à direta desta postagem.
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segunda-feira, 17 de março de 2014
A Terceira Onda: Fascismo na Escola (Documentário do History Channel)
O vídeo acima A Terceira Onda: Fascismo na Escola, trata-se de documentário do History Channel e foi indicação de Silvio Ferreira, via comentário no blog em postagem sobre o filme A Onda (1981), a respeito desta experiência real sobre o fascismo, feita por um professor de História com seus alunos, em 1967.
Vejam sinopse:
"Em 1967, Ron Jones, um jovem professor de História californiano, criou um estado fascista virtual dentro do seu instituto. O seu objetivo era afastar os seus alunos dos atrativos do totalitarismo e do sentimento de pertença a um grupo. Desta forma pôs em funcionamento uma audaz experiência social que superou as suas melhores expectativas, ou melhor, os seus piores pesadelos. Os estudantes envolvidos, 30 no princípio, passaram a ser 200. Entre eles cumprimentavam-se de uma forma específica e havia uma série de informantes que agiam como membros da Gestapo. Era, em suma, uma fiel recriação das raízes do Terceiro Reich. O grau de furor que Jones provocou serviu para distanciar os seus alunos de uma crescente onda de relativismo moral, mas à custa dos estudantes ficarem marcados na vida pela lembrança nefasta do que tinham levado a cabo. Esta experiência, denominada como a Terceira Onda, foi um simples episódio na História, mas que nos serve a todos como um alerta permanente. O relato do que ocorreu e poderia ocorrer facilmente novamente é de leitura obrigatória em escolas na Alemanha e no resto da Europa. Esta fascinante história real serviu de base para o best seller mundial A onda, a partir do qual se rodou também um filme com um titulo homônimo".
Ao final desta postagem indico os dois filmes inspirados nesta experiência real, um filmado nos EUA e outro na Alemanha, além de episódio da cultuada série Além da Imaginação, chamado Berço do Mal, em que mostra o que ocorreria, caso alguém pudesse voltar no tempo e matar Hitler. Também instigante e reflexivo.
Antes disso, o Educa Tube Brasil faz breve reflexão sobre o documentário A Terceira Onda, a partir dos apontamentos feitos durante sua assistência:
A Terceira Onda mostra que pessoas são manipuláveis, que educadores carismáticos possuem o que chamo de a pedagogia do exemplo, que pode ser tanto positiva como negativa. Que alguém articulado, confiável, inteligente pode influenciar pessoas - principalmente os jovens -, caso não se tenha a crítica e a autocrítica. Apesar da adesão maciça dos alunos à Terceira Onda, alguns alunos se rebelarem e enfrentaram aquele movimento, o que demonstra também que existem pessoas humanistas que não se deixam manipular tão facilmente.
Ron Jones procurou fazer que todos tivessem a ideia que ninguém é melhor do que ninguém, e que erros do passado podem ser repetidos no presente e até no futuro, com o agravante de que no passado não se sabia as consequência daqueles atos nefastos, como o caso da juventude hitlerista, e se envolveram numa onda de totalitarismo, racismo, intolerância, violência e tudo mais.
Mais! Que a falta de alteridade, de ser ver como o outro, de se colocar no lugar do outro, leva a situações extremas, independente da época e de quem esteja no comando da Onda. Segundo entrevista com seus ex-alunos, Jones era um professor jovem, carismático, confiável, inovador, que trazia novidades para a turma, além de convidados especiais, apresentando sempre aspectos diferentes da mesma questão. Algo que a Educação e o Jornalismo nem sempre fazem, sendo deterministas, totalizantes, generalizantes, parciais em suas abordagens.
Há dois grupos nítidos de educadores: os que fazem experiências inovadoras, que interagem com seus alunos, que mostram muitos mais que os dois lados (maniqueístas, binários de um conteúdo, notícia, fato) de uma questão... E os simuladores, que tentam repetir processos mecânicos de aprendizagem e ensino, sem maiores reflexões, contestações, provocações (seja por falta de apoio, de recursos financeiros e humanos, de se expor etc).
Segundo um ex-aluno de Ron Jones, já adulto, diz que o mesmo agiu como um ator e autor de ficção. E de fato, o bom educador não deixa de ser um ator que desempenha um papel, só que social, diante de sua plateia, a turma, escola. E poderá ser, não um autor de ficção, mas ser coautor, junto com seus alunos de uma história de vida, através de atos, projetos e atividades relevantes e significativas a todos.
Jones deixou de lado o método expositivo para, naquela experiência, abordar situações reais, sem que os alunos soubessem por onde ele os levaria. Mas no fundo, parece-me, segundo fala do próprio Ron, ele esperava que seus alunos fossem diferente dos integrantes da juventude hitlerista e da SS nazista.
Ao utilizar conceitos de força e energia, reproduzindo aula conservadora, tradicional do passado em que a disciplina era tão importante quanto o conteúdo. Evidente que impor valores e limites são papel sociais de cada educador, seja pai ou professor, mas de forma adequada. Diante da intervenção abrupta do professor, os mais novos aceitaram com facilidade, incorporando a saudação da Onda, que lembrava a do nazismo, da força através da disciplina. Distribuiu cartões em branco e três com uma cruz vermelha, como fazia o facismo, e foi aceito tal procedimento discriminatório, racista. Expulsou os discordantes. Uma das alunas criou um movimento de oposição, chamado The Breakers, que procurava justamente quebrar este movimento ondular, fazendo cartazes e os distribuindo pela escola de forma anônimo, com medo de ser descoberta e sofrer represálias...
Enfim, em 1967, não havia ainda a internet, o microcomputador, as redes sociais digitais, e os alunos confiavam naquele educador que dizia que o movimento tinha se ampliado, sendo reproduzido em milhares de escolas pelo país. Sem poder comprovar a maioria aceitou como a verdade cabal, até que o próprio professor resolveu mudar a direção do experimento e convocar a todos para uma reunião onde mostrar o líder máximo da Terceira Onda. A cena final dos filmes abaixo é avassaladora. Recomendo assistirem a ambas as versões, pois são ótimas.
Naquela época os EUA viviam momentos como a guerra do Vietnã, a campanha dos direitos civis, as mortes de líderes políticos, artísticos e culturais. O mundo pós Guerra Mundial e envolvido na chamada Guerra Fria era também binário e maniqueísta (dividido entre americanos e russos, direita e esquerda, bem e mal, sim e não etc). No mundo atual, ainda vivemos momentos binários, em que até sociedades ditas evoluídas e democráticas adotam expedientes totalitários de suspensão das liberdades civis por conta de ataques terroristas. Os próprios ataques às vezes "justificam" ações de Terror contra países supostamente patrocinadores destas ações. Um ciclo vicioso que ainda estamos presos, mesmo no século XXI, e que é o campo de batalha ideal para o surgimento de novos líderes carismáticos que podem propor uma "Quarta Onda", se não estivermos dispostos a fazer a crítica e a autocrítica, não só dos atos de terceiros, mas os nossos próprios...
Abaixo, as duas versões de A Onda (a alemã, de 2008):
Sinopse:
"A Onda (título original: Die Welle) é um filme alemão de 2008 dirigido por Dennis Gansel e estrelado por Jürgen Vogel, Frederick Lau, Jennifer Ulrich e Max Riemelt. É inspirado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser e no experimento social da Terceira Onda. O filme foi produzido por Christian Becker para a Rat Pack Filmproduktion. Obteve sucesso nas bilheterias alemãs e depois de dez semanas, 2,3 milhões de pessoas haviam assistido ao filme".
Fonte: Wikipedia
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Onda_%28filme%29
A seguir, A Onda, versão estadunidense, de 1981:
)
Sinopse:
"O filme "A Onda", de 1981, mostra uma experiência real vivenciada por alunos de uma escola em Palo Alto, nos EUA, que acompanhando uma proposta de seu professor de história, reproduz o perigo de uma doutrina. A Onda, um movimento criado por este professor, foi inspirado nas rotinas utilizadas por Adolf Hitler com o povo alemão, durante a segunda guerra mundial. A pergunta de uma aluna em sala de aula, motiva esse professor a recriar a mesma experiência em menor escala".
Por fim, episódio O Berço do Mal, do seriado de TV Além da Imaginação:
Sinopse: "Andrea Collins (Katherine Heigl) descobre que tem um incrível dom - ela tem o poder de viajar no tempo. Decide voltar alguns anos com o objetivo de matar Adolf Hitler quando bebê, para impedir a II Guerra Mundial. Só que Andrea logo perceberá que sua tarefa não será tão simples assim".
O episódio acima, sem ser determinista, mostra que independente de quem fosse, estava fadado a alguém ser o führer, pois não se trata de uma pessoa mas de um momento e sentimento históricos que levaram a isso. Se não fosse Adolf Hitler, seria outro que chegaria ao poder e em nome deste e dos valores xenófobos, racistas, eugênicos e tudo mais que estavam em voga e na "onda" daquele tempo, levariam ao mesmo movimento. Particularizar, tornar pessoal algo que é muito mais amplo e universal, é limitar o nosso campo de visão, como se eliminando uma peça do jogo, evitasse que a partida de xadrez político, histórico e social findasse ali. Ainda que tenha toda a complexidade de um jogo de xadrez, a vida é muito mais amplo, complexa e surpreendente que qualquer jogo ou simulação do viver, como bem soube o educador Ron Jones e seus alunos, envolvidos profundamente na Terceira Onda... O poder vicia, é afrodisíaco e o professor pode perceber bem isso, durante sua experiência. E se a sociedade não tiver mecanismos de avaliação e autoavaliação, crítica e autocrítica, poderemos em qualquer tempo, mais do que simular, repetir erros com conhecimento de causa, o que é muito pior... Afinal, uma coisa é criar algo perverso sem saber para onde vai, outra sabendo da existência, não dar-se conta de sua reprodução e seguir adiante, tornando uma pequena onda em um maremoto social.
Tal experiência serve para nos mostrar que ainda estamos aprendendo a viver e a conviver, e que vez em quando, ainda fazemos coisas irracionais, fruto das inúmeras manipulações que estamos sujeitos, além do tempo e do espaço que habitamos. Coisas "Além da Imaginação"...
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domingo, 25 de novembro de 2012
"Vista a Minha Pele" usa a paródia para discutir racismo e preconceito
O vídeo acima, Vista a Minha Pele, trata-se de curta-metragem que "usa a paródia para discutir racismo e preconceito", conforme apresentação no You Tube: "Nesta história, os negros são a classe dominante e os brancos foram escravizados. Os países pobres são Alemanha e Inglaterra. Os países ricos são da África. Maria é uma menina branca, pobre, que estuda em um colégio particular graças a uma bolsa de estudo, já que a mãe é faxineira na escola. A maioria de seus colegas a hostilizam, com exceção de sua amiga, que é filha de um diplomata, que morou em países pobres e tem outra visão da sociedade. Com todas as adversidades, Maria quer ser 'Miss Festa Junina' da escola. Conta com a ajuda da amiga Luana e as duas vão se envolver em uma série de aventuras para alcançar seus objetivos."
Uma história simples e criativa para discutir, através da paródia, situações do cotidiano. Nada como "vestir a pele do outro" para sentir-se no seu lugar. Lembrando que para o Educa Tube só existe uma raça: a humana. E a cor da pele, dos olhos, o local de nascimento são apenas identificadores da diversidade humana.
Um ótimo material para trabalhar a questão do preconceito, racismo e discriminação, juntamente com o episódio Tons de Culpa, do famoso seriado Além da imaginação, de Rod Serling (em 2 partes, logo abaixo). Que serve como exercício de alteridade, de colocar-se e sentir-se como o outro, literalmente sentindo seus efeitos na pele. Quando um personagem racista incorpora a identidade do outro e sente na pele todo o racismo existente em seu entorno.
A frase que finaliza o referido episódio é emblemática: "Você não conhece um homem até que tenha caminhado uma milha com seus sapatos".
TONS DE CULPA - ALÉM DA IMAGINAÇÃO
Conforme apresentação do vídeo no You Tube:
"Twiligth Zone foi uma série antológica, com apenas meia hora de duração, que apresentava o estranho, o bizarro, o inesperado. Essa série é o remake de 2002 desse clássico dos anos 50 e 60, apresentadas por um homem sinistro que abria com um pequeno texto e encerrava com uma lição ou sentença. Era de gelar a medula! Astros do cinema faziam filas para participar de seus episódios, mesmo como figurantes.
"Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia."
Shades of Guilt é o 3º episódio da temporada que foi produzida em 2002."
Se palavra puxa palavra, imagem leva a outra imagem, vídeo a outro vídeo, e assim vai... Falando de tons de pele, de racismo e preconceito, indico outros vídeos abaixo para ampliar o debate:
Um deles é fragmento de entrevista do ator Morgan Freeman (vide abaixo) a Mike Wallace, do famoso programa 60 minutos, sobre respeitar as diferenças sem querer ser diferente. Apesar de polêmico o tema, a fala de Freeman é coerente. Devemos pensar e conviver como seres humanos, independente da cor da pele, da religião, do partido político, do país etc. Raça, pra mim, torno a dizer, só existe uma: a humana. E precisamos ter essa consciência de que a cor da pele que nos difere não deva ser um diferencial de convivência na sociedade. Devemos lutar por igualdade e não apenas pela institucionalização disfarçada do racismo, em porcentagens e coisas assemelhadas. Lutar pela igualdade é combater o racismo, o preconceito e a discriminação.
Em seguida, outros vídeos relacionados ao tema do racismo, como esta propaganda antirracismo feita pela ONU, logo abaixo:
Além deste comercial de projeto "Antirracismo", campanha institucional da Universidade Central da Colômbia. Que pergunta: Até onde vai seu preconceito?
Achei também uma experiência que já conhecia com uma menina negra (Uma conversa sobre raça), mas dessa feita, a mesma experiência feita com crianças mexicanas, sobre o que é belo e feio.
Enfim, dentro da proposta desta postagem de falar sobre racismo e seus diversos tons, aproveito para divulgar texto da colega e amiga Elis Zampieri, em seu blog Sobre Educação:
Dia do Índio e Currículos Turísticos.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Sonhos à venda (Além da Imaginação) e os paraísos artificiais
O vídeo acima, Sonhos à venda, de 1985, pertence a série Além da Imaginação, que fez muito sucesso nos EUA e Brasil, por mesclar ficção, mistério, suspense.
Eis o argumento do vídeo: "Em um futuro distante, mulher (Meg Foster) aproveita seu período de descanso durante o estressante trabalho e instala-se em uma máquina que gera fantasias idílicas. Só que algo sai errado..."
Tudo começa bem, com o som de caixinha de música de trilha sonora, um local paradisíaco, uma família perfeita, mas de repente algo começa a confundir a mulher, que logo desperta do sono. Tudo não passou de um sonho comprado em uma fábrica em que as pessoas, em férias, vestidas com trajes que lembram astronautas, adentram em suas pequenas cápsulas do tempo e viajam para paraísos artificiais.
Foi Charles Baudelaire que chamou de Paraísos artificiais as "satisfações momentâneas que os homens buscavam para fugir da mediocridade existencial a que a grande maioria estava condenada, mesmo que o despertar daquele fugaz momento edênico tivesse horríveis consequências".
Um belo material para tratar de história e ficção, fantasia e realidade, presente, passado e futuro, sonhos e decepções... De fato, coisas repetitivas nos fazem refletir sobre nosso cotidiano, e muitas vezes nos despertam para uma outra realidade além de nossa imaginação...
Como num imenso videogame em 3D, a moça depois de desperta é alertada pelo funcionário da empresa que vende sonhos, que ainda tem mais 6 minutos de vida naquele local, antes de ter que voltar para o trabalho. Talvez uma crítica ao nosso moda de vida, que só consigamos muitas vezes sermos felizes apelando para esse diversos paraísos artificiais que nos são oferecidos: internet, jogos eletrônicos, bebidas, drogas etc Muitas pessoas dedicam horas a fio diante de um computador em redes sociais, mas nem sempre sendo o que de fato são, vivendo avatares, perfis fakes, como se fossem outros. Idealizações.
9 minutos de vídeo para tratar de diversos assuntos entre pais e filhos, professores e alunos.
Afinal, parafraseando Renato Russo, em sua canção Índios: "(...) o futuro não é mais como era antigamente".
Que lição esse filme nos traz? Que devemos trabalhar para viver, mas não viver para trabalhar. Que o lazer deve ser preservado e não comercializado. Que os sonhos melhores de serem vividos, são aqueles de olhos bem abertos, acordados... E com pessoas de carne e osso, independente de estarem próximas ou distantes...
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