O vídeo que intitulei NENHUM ALGORITMO TEM BIOGRAFIA encontrei no instagram de Mateus Salvadori, professor de Filosofia, que compartilha reflexão do professor e escritor Leandro Karnal sobre as relações entre a tecnologia [Claude IA] e a literatura, a partir da vivência de grandes autores como Dostoiévski, Clarice Lispector, Kafka e outros mais.
Entrecruzando essas três áreas [filosofia, literatura e tecnologia] e de fato, a inteligência artificial [IA] simula a partir do acesso ao banco de dados e acervo de algum mestre, mas é incapaz, por si só, sem experiências humanas, criar algo de fato inovador. Como disse alguém na rede social digital: é um gerador automático de lero-lero. O algoritmo vive se sequências lógicas a partir da análise de repetições. Da linguagem de programação para a arte da escrita há mais coisas entre o céu e a terra que possa supor nossa vã tecnologia, incluindo a mais sofiosticada das IAs que possa surgir. Entre ter inteligência e consciência humana, é preciso ter vivência física, emocional, psicológica humanas, e não creio que algoritmos, que são ótimos simuladores [ferramentas], tal qual espelhos, possam atravessar essa quarta parede, que envolve o sentimento e a vida humana. Na ficção científica, máquinas pensam, pensam que pensam, mas poderão sonhar, ainda que sonhos elétricos, como ironizou Phillip K. Dick em Blade Runner?
Ainda é cedo pra predizer ou prever o futuro, já que "O futuro não é mais como era antigamente", frase celebrizada pela banda larga Legião Urbana, na canção Índios, em 1986, ou seja, há quatro décadas. De lá pra á, sei que muita coisa mudou: IA, internet, drones, TVsmart, streaming, wi-fi, 6G, Full HD, etc. Conceitos e equipamentos que, quando muito, existiam na sci-fi e hoje fazem parte do cotidiano de crianças, jovens e adultos. Porém, nesse "Admirável Mundo Novo" de microchips, datacenters, GPS, etc, ainda há um bom espaço para filosofar, poetar, sonhar...
Leandro foi muito "carnal" [desculpem o trocadilho infame] ao dizer que "Nenhum algoritmo tem biografia", justamente pois a história de vida humana é singular, ainda que em ambientes plurais como os familiares, os escolares, os profissionais, os laborais e outros. Nem gêmeos idênticos pensam e agem da mesma forma. Enquanto formos humanos, como nossos defeitos de "fábrica" e nossas qualidades ampliadas no convívio social, teremos uma esperança de não vivermos numa sociedade extremamente robotizada, inclusive nos sentimentos mais carnais, sensoriais e mundanos que nos fazem ser diferentes e divergentes das máquinas: ciúme, paixão, desejo, esperança, contradição, ousadia, coragem, compaixão...
Ouso dizer que nós, euqnaot humanos, simulamos a outros humanos também numa inteligência emocional: filhos imitam pais aprendendo a falar e caminhar; mestres orientais simulam movimentos da natureza em suas artes marciais; gênios de uma época simulam os clássicos, na filosofia, literaturam ciências. O que seria de Aristóteles sem Platão, e deste sem Sócrates, e do pensamento socrático sem beber na fonte dos pré-socráticos ou filósofos da natureza, que levaram esse nome, justamente por aprenderem as leis básicas que regem o mundo e o universo observando a mãe... Natureza [física, química, biologia, matemática são frutos dessas observações e tentativas de simulação, por experimentação].
Enfim, um pequeno vídeo para uma profunda reflexão nas aulas de Filosofia, Literatura, Arte e outras mais, para provocação sobre a imprevisibilidade humana frente a tentativa de previsibilidade das máquinas.
Observação:
Esta postagem é de autoria de José Antonio Klaes Roig, professor, escritor e poeta, além de editor do blog Educa Tube Brasil. http://educa-tube.blogspot.com José Antonio Klaes Roig ou Zé Roig, como gosta de ser chamado, possui o Prêmio de Professor Transformador [2020] e seu blog Educa Tube Brasil, o Prêmio de um dos melhores blogues educacionais do Brasil [2020], conforme selos estampados na coluna à direta desta postagem.
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