Viralizou um vídeo de uma chinesa comentando essa frase emblemática: “Não existem mais brasileiros na seleção” que, apesar de apararentemente contraditória, no sentido sintático, tem profunda coerência no sentido semântico, do significado e sentido das palavras, além do que elas nomeiam, ou dizem.
Como não localizei o vídeo original, reproduzo matéria do perfil Mente Empreendedora, no Instagram, que retoma essa frase. [cliquem ou arrastem a janela para acompanhar os desdobramentos da postagem original]
Ampliando o debate, fica evidenciado que a manchete chinesa não tratava da nacionalidade brasileira entre os jogadores da seleção de futebol do Brasil, mas se referia àquilo que representou, por décadas e inúmeros títulos, o futebol praticado por brasileiros: jinga, drible, irreverência, impresivibilidade, criatividade, originalidade. Ser brasileiro, no futebol, era algo único que todos tentavam imitar, mas só os nativos que conseguiam executar, como Garrincha, Pelé, Zico, Sócrates, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, etc.
Hoje, as habilidades [soft skills] que tornaram o chamado "futebol arte" uma característica do jogador brasileiro parece que se perdeu, já que muitos, ainda jovens, vão para o exterior e lá recebem "aulas" de tática [hard skills], perdendo em parte sua espontaneidade. Exemplo máximo, supostamente, é o caso do jovem Endrick, na seleção brasileira, durante a Copa do Mundo de 2026. Alguns comentaristas esportivos indicam que o motivo de o jovem talentoso estar sendo barrado pelo treinador Ancelotti é a indisciplina tática, pois não segue as orientações do Carleto, que pede pra voltar pra marcar, que eclama dele improvisar demais e ser imprevisível taticamente falando.
A seleção atual [salvo Neymar Jr., quando estava em condições de jogo, e Vinícius Jr, em lances ocasionais] não dribla mais, não faz jogadas diferenciadas, parecendo robotizada, sem criatividade, previsível, como na estreia do mundial contra o Marrocos, sendo facilmente dominada e não impondo nenhum perigo ao adversário, exceto quando Vini Jr. fez uma jogada individual e típica do legítimo futebol brasileiro, tão desejado e pouco encontrado. Falta também um pouco de inteligência, não apenas tática, mas emocional aos jogadores brasileiros em geral. Mas esse é um papo logo e futuro, que desenvolverei noutra postagem.
Saindo do campo do esporte e trazendo esse tema para os campos da EDUCAÇÃO e do TRABALHO, uma pergunta retórica: Será que não estamos cobrando de alunos e colaboradores atitudes algorítmicas, robotizadas, mecanizadas demais [hard skills] e detrimento das habilidades naturais que já possuem [soft skills]? Será que a tática deve se sobrepor à técnica natural, que o resultado deve ter maior importância que o processo em si, que o rigor ao invés do talento, a repetição ao invés da criação? As IAs [inteligências artificiais] estão aí comprovando o quanto tudo ficou muito parecido, sendo copiado à exaustão por modelos de simulação. E o mais paradoxo disso que, escrever bem, por exemplo, é sinal de utilização de IA, não mais uma característica humana. Será que robôs desplugados, desconectados de uma rede de computadores poderá sonhar, imaginar, criar algo do zero?
Fica aqui essa provocação filosófica, poetica, tecnológica, mercadológica para que RHs, professores, alunos, pais, gestores, seja escolares, públicos ou privadas debatam entre si e com seu público específico.
EM TEMPO: Após postagem, um "insight" percorreu meu ser lírico e fiquei a refletir sobre o que "Matou o autêntico futebol brasileiro" e gostaria de ampliar essa provocação filosófica, sociológica e esportiva. Teria sido o excesso de faltas sobre jogadores habilidoso, como Neymar Jr., que abreviam sua carreira ou atuação nos gramados? Ou seria a conivência com a violência por parte da arbitragem? Seria o "politicamenet correto" levado para os gramados, de não poder "humilhar" com dribles os adversários, que acabam se irritando e agredindo jogadores dribladores, que acabam sendo intimidados pelos chamados "pernas de pau" ou voluntariosos sem talento igual? A falta de campinhos de várzea, parques com campos e quadras para a prática de esportes? O videogame e as redes sociais que afastam os jovens da prática da atividade física em geral e dos esporteds em especial? Ou, como dito anteriormente, jovens talentos indo cedo demais para o exterior e sendo moldados por outro estilo de jogo, totalmente diverso do que aqui era praticado? Algumas dúvidas e poucas certezas para contribuir com a discussão.
Observação:
Esta postagem é de autoria de José Antonio Klaes Roig, professor, escritor e poeta, além de editor do blog Educa Tube Brasil. http://educa-tube.blogspot.com José Antonio Klaes Roig ou Zé Roig, como gosta de ser chamado, possui o Prêmio de Professor Transformador [2020] e seu blog Educa Tube Brasil, o Prêmio de um dos melhores blogues educacionais do Brasil [2020], conforme selos estampados na coluna à direta desta postagem.


