domingo, 19 de julho de 2015

Crianças, já para fora! Os sete pecados capitais cometidos contra a infância




O video acima Crianças, já para fora, trata-se de palestra do médico pediatra especialista em homeopatia e mestre em saúde pública, na área de promoção da saúde Daniel Becker ao TEDxLaçador, em Porto Alegre, RS, Brasil, em junho/2015.
Becker foi "Foi pediatra da organização Médicos Sem Fronteira em campos de refugiados na Ásia e fundou o CEDAPS – Centro de Promoção da Saúde – em 1993, uma ONG com forte atuação social em comunidades populares. Palestrante e consultor de órgãos governamentais, empresas e organizações internacionais esteve a trabalho em mais de 23 países".
Daniel "mostra os pecados que estamos cometendo contra a infância e aponta possíveis soluções" e inicia sua fala com frase de Nelson Mandela: “O verdadeiro caráter de uma sociedade é revelado pela forma com que ela trata suas crianças.”
Diz que as crianças são mais educadas e masssacradas por publicitários do que por professores, diante do forte apelo comercial, consumista obsessivo da mídia e da publicidade.
Conforme o portal CONTI outra, onde encontrei esse vídeo e matéria, o médico enumera os sete pecados capitais cometidos contra a infância:

1 – Privação do nascimento natural e do aleitamento materno

“A cultura da cesárea faz com que as mulheres acreditem que o parto normal deve ser a cesárea. Que o parto normal é nocivo, doloroso, perigoso. Isso gera diversos malefícios para as crianças.” “Da mesma forma acontece com o leite materno. A mulher quer amamentar sua filha, mas (muitas vezes) em dois meses esta criança está desmamada. Isso vem, em grande parte, por causa da indústria, que faz propaganda pelo nome que dá às suas fórmulas: “premium”, “supreme”, e a propaganda que ela faz com o médico.”

2 – Terceirização da infância

Por causa da falta de tempo dos pais, que têm que trabalhar para sustentar a família, as crianças estão sendo deixadas em creches ou com babás. “Perdemos o que é mais precioso na infância: o convívio com os filhos. Convívio é aquilo que nos dá a intimidade, a capacidade de estar junto, o amor, a sensação de estar cuidando de alguém, a sensação de conhecer profundamente alguém”.

3 – Intoxicação da infância

Também pela falta de tempo, é mais acessível trocar a comida tradicional brasileira por uma alimentação rica em gordura, sal e açúcar, que vem da comida congelada e industrializada. “Obesidade e diabetes estão explodindo na infância”.

4 – Confinamento e distração permanente

As crianças passam até oito horas por dia conectadas em aparelhos eletrônicos. Esse confinamento impede que elas tenham um momento de consciência, de vazio, de tédio. “O tédio é fundamental na infância. Porque o tédio e o vazio são berço daquilo que é mais importante para nós, a criatividade e imaginação. Nós estamos amputando isso dos nossos filhos.”

5 – Mercantilização da Infância e Consumismo Infantil

Assistindo muita televisão durante o dia, as crianças são massacradas pela publicidade, por valores de consumismo. “E essa publicidade é covarde, explora a incapacidade da criança de distinguir fantasia de realidade, explora o amor dela por personagens e instiga nela valores como consumismo obscessivo, hipervalorização da aparência, a futilidade e coisas piores”.

6 – Adultização e erotização precoce

“Existe uma erotização que usa a criança de 7, 8 anos para vender produtos de moda, uma erotização baseada no machismo, na objetificação das meninas e das mulheres, na valorização excessiva da aparência.”

7 – Entronização e superproteção da infância

Para compensar a ausência, muitos pais tornam-se permissivos e acabam perdendo a autoridade sobre seus filhos. Mas a criança precisa de gente que conduza a vida dela. “A gente sabe que a importância dos limites do não são formas fundamentais de amor. A gente precisa dar para os nossos filhos, mas a gente tá perdendo a capacidade. Em vez disso, a gente se interpõe entre as experiências dos filhos e do mundo fazendo justamente que eles não tenham experiência da vida e portanto não desenvolvam mecanismos de lidar com a frustração, com a dor e com a dificuldade. E certamente o mundo vai entregar para eles mais tarde.”

Como forma de enfrentar estes pecados, Daniel propõe uma solução que passa por mudanças em apenas dois fatores: tempo e espaço. No caso do tempo, o médico sugere que os pais estejam presentes na vida do filho em pelo menos 10% do tempo em que estão acordados. Em uma conta geral, isso representa 1h40 por dia de dedicação aos filhos. Em relação ao espaço, a orientação é estar perto da natureza. “O convívio com o espaço aberto vai afastar a gente das telas, vai reduzir o consumismo e o materialismo excessivos, vai promover o livre brincar (que, por sua vez, vai gerar inteligência, humor e criatividade), vai gerar convívio entre as famílias, vai promover o contato com o ar, o sol e o verde e vai reduzir todos os problemas da infância.”

O Educa Tube Brasil seguidamente destacada a questão do tenmpo e do espaço escolares, familiares e sociais para a boa aprendizagem de mundo e da importância de valorizar o convívio entre gerações, com a natureza, o meio ambiente, em saídas de campo, nem que seja pelo entorno da escola. Portanto, a fala de Daniel Becker é um rico material para reflexão entre professores e alunos, pais e filhos.
E pensando a questão da saúde, em sentido amplo, indico o texto abaixo, de Rubem Alves, que vem ao encontro deste tema:

SAÚDE MENTAL, uma sábia reflexão de Rubem Alves

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